ESG Institucional

Sustentabilidade genuína: superando o greenwashing com ações locais

Sustentabilidade genuína: superando o greenwashing com ações locais

Difundido e consolidado no Relatório de Brundtland, intitulado Nosso Futuro Comum (1987), o desenvolvimento sustentável é definido como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem as suas próprias demandas”.

O conceito surge como resposta à finitude dos recursos naturais, às transformações ambientais e ao agravamento da crise climática, em um contexto marcado pela lógica do capitalismo e pelo consumo exacerbado. Nesse cenário, apresenta-se como uma alternativa para conter a degradação ambiental, reduzir vulnerabilidades sociais e mitigar os riscos de crises econômicas associadas ao esgotamento de matérias-primas.

Sob essa perspectiva, empresas passaram a adotar práticas e produtos mais sustentáveis, alinhados ao chamado tripé da sustentabilidade (Triple Bottom Line), proposto por John Elkington em 1994, buscando equilibrar desempenho econômico com responsabilidades sociais e ambientais.

No entanto, paralelamente à consolidação desse paradigma, observa-se a banalização do termo “sustentabilidade”. Atraídas por oportunidades de mercado, muitas empresas passaram a adotar discursos ambientalmente responsáveis e a promover produtos supostamente ecológicos, sem que tais posicionamentos se sustentem na prática. Esse fenômeno, conhecido como greenwashing (lavagem verde), termo cunhado em 1986 pelo ambientalista Jay Westerveld, consiste na construção de uma imagem sustentável que não corresponde à realidade.

Essa prática de publicidade enganosa não apenas intensifica a degradação ambiental, como também prejudica empresas comprometidas com práticas éticas e fragiliza a confiança dos consumidores em produtos e marcas “verdes”. No Brasil, a Lei nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor) proíbe a publicidade enganosa ou abusiva, classificando-a como infração legal.

Diante desse cenário, o consumo desenfreado e a publicidade agressiva começam a ceder espaço a uma nova postura mais crítica e consciente. As novas gerações analisam causas ambientais e discursos publicitários com maior rigor: consomem de forma mais informada, produzem conteúdo, exigem posicionamentos autênticos e identificam inconsistências com facilidade. Demandam transparência, dados verificáveis e compromisso real das marcas com a sociedade e o meio ambiente.

Nesse contexto, ganha força a valorização de iniciativas com impacto direto nos territórios onde as empresas atuam. Mais do que apoiar causas globais abstratas, cresce a cobrança por responsabilidade local nos espaços onde as organizações operam, empregam, vendem e constroem suas reputações.

Projetos locais, portanto, assumem protagonismo por promoverem impactos concretos e perceptíveis: fortalecem vínculos com a comunidade, geram resultados visíveis e contribuem para transformações reais no ambiente e na vida das pessoas. Ao apoiar essas iniciativas, as empresas transcendem a lógica de doações pontuais e passam a atuar como agentes ativos no ecossistema que sustenta seus próprios negócios.

Em Angra dos Reis (RJ), o Projeto OPAOMA exemplifica essa atuação: realiza a limpeza diária da zona costeira, com a retirada dos resíduos sólidos, promove educação ambiental e mobiliza a comunidade na proteção da vida marinha e na construção de um futuro mais equilibrado. Trata-se de um trabalho contínuo, muitas vezes silencioso, mas de impacto significativo.

Para empresas regionais, o apoio a projetos locais deve ser entendido como uma estratégia prioritária, capaz de gerar benefícios imediatos no território e contribuir para a sustentabilidade de longo prazo dos próprios negócios.

Impacto positivo é urgente. É local. E começa com quem está presente.

Artigo por:

Clarice Silva Lima

Rafael Lima

Referências